* [PATCH 0/2] docs: pt_BR: Translate coding and posting guidelines
@ 2026-06-14 23:50 Daniel Pereira
2026-06-14 23:50 ` [PATCH 1/2] docs: pt_BR: Translate 4.coding.rst into Portuguese Daniel Pereira
2026-06-14 23:50 ` [PATCH 2/2] docs: pt_BR: Translate patch posting documentation Daniel Pereira
0 siblings, 2 replies; 3+ messages in thread
From: Daniel Pereira @ 2026-06-14 23:50 UTC (permalink / raw)
To: Jonathan Corbet; +Cc: linux-doc, Daniel Pereira
This patch series translates chapters 4 and 5 of the kernel development
process documentation ("4.Coding.rst" and "5.Posting.rst") into
Brazilian Portuguese (pt_BR).
The goal is to expand the available documentation for Portuguese-speaking
developers, making it easier to understand core coding standards and
patch submission guidelines.
Daniel Pereira (2):
docs: pt_BR: Translate 4.coding.rst into Portuguese
docs: pt_BR: Translate patch posting documentation
.../translations/pt_BR/process/4.Coding.rst | 440 ++++++++++++++++++
.../translations/pt_BR/process/5.Posting.rst | 376 +++++++++++++++
.../pt_BR/process/development-process.rst | 2 +
3 files changed, 818 insertions(+)
create mode 100644 Documentation/translations/pt_BR/process/4.Coding.rst
create mode 100644 Documentation/translations/pt_BR/process/5.Posting.rst
--
2.47.3
^ permalink raw reply [flat|nested] 3+ messages in thread
* [PATCH 1/2] docs: pt_BR: Translate 4.coding.rst into Portuguese
2026-06-14 23:50 [PATCH 0/2] docs: pt_BR: Translate coding and posting guidelines Daniel Pereira
@ 2026-06-14 23:50 ` Daniel Pereira
2026-06-14 23:50 ` [PATCH 2/2] docs: pt_BR: Translate patch posting documentation Daniel Pereira
1 sibling, 0 replies; 3+ messages in thread
From: Daniel Pereira @ 2026-06-14 23:50 UTC (permalink / raw)
To: Jonathan Corbet; +Cc: linux-doc, Daniel Pereira
[-- Warning: decoded text below may be mangled, UTF-8 assumed --]
[-- Attachment #1: Type: text/plain; charset=y, Size: 27392 bytes --]
Translate the chapter regarding coding standards and patch formatting
rules ("4.Coding.rst") into Brazilian Portuguese.
This translation helps Portuguese-speaking developers better understand
the core guidelines required for kernel code contributions.
Signed-off-by: Daniel Pereira <danielmaraboo@gmail.com>
---
.../translations/pt_BR/process/4.Coding.rst | 440 ++++++++++++++++++
.../pt_BR/process/development-process.rst | 2 +
2 files changed, 442 insertions(+)
create mode 100644 Documentation/translations/pt_BR/process/4.Coding.rst
diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/4.Coding.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/4.Coding.rst
new file mode 100644
index 000000000..ca4c74774
--- /dev/null
+++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/4.Coding.rst
@@ -0,0 +1,440 @@
+.. SPDX-License-Identifier: GPL-2.0
+
+Escrever o código corretamente
+==============================
+
+Embora haja muito o que se dizer sobre um processo de design sólido e orientado
+à comunidade, a prova de qualquer projeto de desenvolvimento de kernel está no
+código resultante. É o código que será examinado por outros desenvolvedores e
+mesclado (ou não) na árvore principal (*mainline*). Portanto, é a qualidade
+deste código que determinará o sucesso final do projeto.
+
+Esta seção examinará o processo de codificação. Começaremos analisando uma série
+de maneiras pelas quais os desenvolvedores de kernel podem errar. Em seguida, o
+foco mudará para como fazer as coisas do jeito certo e as ferramentas que podem
+ajudar nessa busca.
+
+
+Armadilhas
+----------
+
+Estilo de Codificação
+*********************
+
+O kernel há muito possui um estilo de codificação padrão, descrito em
+:ref:`Documentation/process/coding-style.rst <codingstyle>`. Por grande parte
+desse tempo, as políticas descritas naquele arquivo eram consideradas, no
+máximo, como recomendações. Como resultado, há uma quantidade substancial
+de código no kernel que não cumpre as diretrizes de estilo de codificação.
+A presença desse código leva a dois riscos independentes para os
+desenvolvedores do kernel.
+
+O primeiro deles é acreditar que os padrões de codificação do kernel não importam
+e não são exigidos. A verdade é que adicionar novo código ao kernel é muito
+difícil se esse código não estiver escrito de acordo com o padrão; muitos
+desenvolvedores solicitarão que o código seja reformatado antes mesmo de
+revisá-lo. Uma base de código tão grande quanto a do kernel exige certa
+uniformidade para tornar possível que os desenvolvedores entendam rapidamente
+qualquer parte dela. Portanto, não há mais espaço para códigos com formatações
+estranhas.
+
+Ocasionalmente, o estilo de codificação do kernel entrará em conflito com o
+estilo exigido por um empregador. Nesses casos, o estilo do kernel terá que
+vencer para que o código possa ser mesclado. Colocar código no kernel significa
+abrir mão de um certo grau de controle de várias maneiras — incluindo o controle
+sobre como o código é formatado.
+
+A outra armadilha é presumir que o código já presente no kernel necessita
+urgentemente de correções de estilo de codificação. Os desenvolvedores podem
+começar a gerar patches de reformatação como uma forma de ganhar familiaridade
+com o processo, ou como um meio de incluir seus nomes nos logs de alterações
+(*changelogs*) do kernel ou ambos. No entanto, patches puramente de estilo de
+codificação são vistos como ruído pela comunidade de desenvolvimento; eles tendem
+a receber uma recepção fria. Portanto, é melhor evitar esse tipo de patch. É
+natural corrigir o estilo de um trecho de código ao trabalhar nele por outros
+motivos, mas mudanças de estilo de codificação não devem ser feitas apenas por
+fazer.
+
+O documento de estilo de codificação também não deve ser lido como uma lei
+absoluta que nunca pode ser transgredida. Se houver um bom motivo para ir contra
+o estilo (uma linha que se torna muito menos legível se for dividida para caber
+no limite de 80 colunas, por exemplo), simplesmente faça isso.
+
+Note que você também pode usar a ferramenta ``clang-format`` para ajudá-lo com
+essas regras, para reformatar rapidamente partes do seu código de forma automática
+e para revisar arquivos completos a fim de identificar erros de estilo de
+codificação, erros de digitação e possíveis melhorias. Ela também é útil para
+ordenar ``#includes``, alinhar variáveis/macros, reajustar o fluxo de textos e
+outras tarefas semelhantes. Veja o arquivo
+:ref:`Documentation/dev-tools/clang-format.rst <clangformat>` para mais detalhes.
+
+Algumas configurações básicas do editor, como indentação e fins de linha,
+serão definidas automaticamente se você estiver usando um editor compatível
+com o EditorConfig. Consulte o site oficial do EditorConfig para obter mais
+informações: https://editorconfig.org/
+
+Camadas de Abstração
+********************
+
+Os professores de Ciência da Computação ensinam os alunos a fazerem uso
+extensivo de camadas de abstração em nome da flexibilidade e da ocultação de
+informações. Certamente o kernel faz uso extensivo de abstração; nenhum
+projeto que envolva vários milhões de linhas de código poderia fazer o
+contrário e sobreviver. No entanto, a experiência tem mostrado que a
+abstração excessiva ou prematura pode ser tão prejudicial quanto a otimização
+prematura. A abstração deve ser usada até o nível necessário e não além.
+
+Em um nível simples, considere uma função que possui um argumento que é
+sempre passado como zero por todos os chamadores. Alguém poderia manter esse
+argumento caso alguém eventualmente precise usar a flexibilidade extra que ele
+oferece. A essa altura, no entanto, as chances são grandes de que o código que
+implementa esse argumento extra tenha sido quebrado de alguma forma sutil que
+nunca foi percebida — porque ele nunca foi usado. Ou, quando surge a
+necessidade de flexibilidade extra, ela não ocorre de uma forma que corresponda
+à expectativa inicial do programador. Os desenvolvedores do kernel enviam
+patches rotineiramente para remover argumentos não utilizados; eles não devem,
+em geral, ser adicionados em primeiro lugar.
+
+Camadas de abstração que ocultam o acesso ao hardware — frequentemente para
+permitir que a maior parte de um driver seja usada com múltiplos sistemas
+operacionais — são especialmente malvistas. Essas camadas obscurecem o código
+e podem impor uma penalidade de desempenho; elas não pertencem ao kernel
+Linux.
+
+Por outro lado, se você se pegar copiando quantidades significativas de código
+de outro subsistema do kernel, é hora de perguntar se faria sentido, de fato,
+extrair parte desse código em uma biblioteca separada ou implementar essa
+funcionalidade em um nível superior. Não há valor em duplicar o mesmo código
+por todo o kernel.
+
+
+Uso de #ifdef e do pré-processador em geral
+*******************************************
+
+O pré-processador C parece apresentar uma forte tentação para alguns
+programadores C, que o veem como uma forma de codificar eficientemente uma grande
+quantidade de flexibilidade em um arquivo-fonte. No entanto, o pré-processador
+não é C, e o uso pesado dele resulta em um código muito mais difícil de ser lido
+por outros e mais difícil para o compilador verificar a correção. O uso pesado
+do pré-processador é quase sempre um sinal de código que precisa de algum
+trabalho de limpeza.
+
+A compilação condicional com #ifdef é, de fato, um recurso poderoso, e é
+utilizada dentro do kernel. Mas há pouco desejo de ver um código que seja
+salpicado liberalmente com blocos #ifdef. Como regra geral, o uso de #ifdef
+deve ser confinado a arquivos de cabeçalho (headers) sempre que possível. O
+código compilado condicionalmente pode ser confinado a funções que, se o código
+não estiver presente, simplesmente se tornam vazias. O compilador irá então,
+silenciosamente, otimizar e remover a chamada para a função vazia. O resultado
+é um código muito mais limpo e fácil de acompanhar.
+
+As macros do pré-processador C apresentam uma série de riscos, incluindo a
+possível avaliação múltipla de expressões com efeitos colaterais e a falta de
+segurança de tipos. Se você se sentir tentado a definir uma macro, considere a
+criação de uma função inline em seu lugar. O código resultante será o mesmo,
+mas as funções inline são mais fáceis de ler, não avaliam seus argumentos
+múltiplas vezes e permitem que o compilador realize a checagem de tipos nos
+argumentos e no valor de retorno.
+
+
+Funções Inline
+**************
+
+No entanto, as funções inline apresentam um perigo próprio. Os programadores
+podem ficar encantados com a eficiência percebida inerente a evitar uma chamada
+de função e encher um arquivo de código-fonte com funções inline. Essas
+funções, contudo, podem na verdade reduzir o desempenho. Como seu código é
+replicado em cada local de chamada, elas acabam inflando o tamanho do kernel
+compilado. Isso, por sua vez, cria pressão nos caches de memória do
+processador, o que pode desacelerar a execução drasticamente. As funções
+inline, como regra, devem ser bastante pequenas e relativamente raras. O custo
+de uma chamada de função, afinal de contas, não é tão alto; a criação de um
+grande número de funções inline é um exemplo clássico de otimização prematura.
+
+Em geral, os programadores de kernel ignoram os efeitos de cache por sua própria
+conta e risco. O clássico compromisso entre tempo e espaço (tradeoff) ensinado
+nas aulas introdutórias de estruturas de dados frequentemente não se aplica ao
+hardware contemporâneo. Espaço *é* tempo, no sentido de que um programa maior
+será executado mais lentamente do que um que seja mais compacto.
+
+Compiladores mais recentes desempenham um papel cada vez mais ativo em decidir
+se uma determinada função deve ou não ser realmente inline. Portanto, a inserção
+liberal da palavra-chave "inline" pode não apenas ser excessiva; ela também pode
+ser irrelevante.
+
+
+Mecanismo de Trava
+******************
+
+Em maio de 2006, a pilha de rede "Devicescape" foi, com grande alarde, lançada
+sob a GPL e disponibilizada para inclusão no kernel mainline. Essa doação foi uma
+notícia bem-vinda; o suporte para redes sem fio no Linux era considerado abaixo do
+padrão, na melhor das hipóteses, e a pilha da Devicescape oferecia a promessa de
+corrigir essa situação. No entanto, esse código só entrou de fato no mainline em
+junho de 2007 (2.6.22). O que aconteceu?
+
+Esse código mostrava vários sinais de ter sido desenvolvido a portas fechadas em
+ambiente corporativo. Mas um grande problema em particular era que ele não havia
+sido projetado para funcionar em sistemas multiprocessados. Antes que essa pilha
+de rede (agora chamada de mac80211) pudesse ser integrada, um esquema de locking
+(bloqueio) precisou ser adaptado a ela.
+
+Era uma vez uma época em que o código do kernel Linux podia ser desenvolvido sem
+pensar nos problemas de concorrência apresentados por sistemas multiprocessados.
+Hoje, no entanto, este documento está sendo escrito em um laptop dual-core.
+Mesmo em sistemas com um único processador, o trabalho feito para melhorar a
+capacidade de resposta aumentará o nível de concorrência dentro do kernel. Os
+dias em que o código do kernel podia ser escrito sem pensar em locking ficaram
+há muito tempo no passado.
+
+Qualquer recurso (estruturas de dados, registradores de hardware, etc.) que
+possa ser acessado concorrentemente por mais de uma linha de execução deve ser
+protegido por uma trava (lock). O novo código deve ser escrito com esse
+requisito em mente; adaptar o locking após o fato é uma tarefa consideravelmente
+mais difícil. Os desenvolvedores do kernel devem dedicar um tempo para
+compreender as primitivas de locking disponíveis bem o suficiente para escolher
+a ferramenta certa para o trabalho. Códigos que mostrem falta de atenção à
+concorrência terão um caminho difícil para entrar no mainline.
+
+
+Regressions
+***********
+
+Um perigo final que vale a pena mencionar é este: pode ser tentador fazer uma
+alteração (que pode trazer grandes melhorias) que faça algo quebrar para os
+usuários existentes. Esse tipo de alteração é chamado de "regressão", e as
+regressões tornaram-se totalmente indesejadas no kernel mainline. Com poucas
+exceções, as alterações que causarem regressões serão revertidas se a regressão
+não puder ser corrigida em tempo hábil. É muito melhor evitar a regressão em
+primeiro lugar.
+
+Muitas vezes argumenta-se que uma regressão pode ser justificada se ela fizer as
+coisas funcionarem para mais pessoas do que os problemas que ela cria. Por que
+não fazer uma alteração se ela trouxer uma nova funcionalidade para dez sistemas
+para cada um que ela quebrar? A melhor resposta para essa pergunta foi expressa
+por Linus em julho de 2007:
+
+::
+
+ Portanto, nós não corrigimos bugs introduzindo novos problemas. Esse caminho
+ leva à loucura, e ninguém nunca sabe se você está realmente fazendo algum
+ progresso real. São dois passos para frente, um passo para trás, ou um passo
+ para frente e dois passos para trás?
+
+(https://lwn.net/Articles/243460/).
+
+Um tipo de regressão especialmente indesejado é qualquer tipo de alteração na
+ABI do espaço do usuário (user-space ABI). Uma vez que uma interface tenha sido
+exportada para o espaço do usuário, ela deve receber suporte indefinidamente.
+Esse fato torna a criação de interfaces de espaço do usuário particularmente
+desafiadora: já que elas não podem ser alteradas de maneiras incompatíveis, elas
+devem ser feitas corretamente na primeira vez. Por essa razão, exige-se sempre
+muita reflexão, documentação clara e uma ampla revisão para as interfaces do
+espaço do usuário.
+
+
+Ferramentas de verificação de código
+------------------------------------
+
+Por enquanto, pelo menos, a escrita de código livre de erros continua sendo um
+ideal que poucos de nós conseguem alcançar. O que podemos esperar fazer, no
+entanto, é capturar e corrigir o máximo possível desses erros antes que nosso
+código entre no kernel mainline. Para esse fim, os desenvolvedores do kernel
+reuniram um conjunto impressionante de ferramentas que podem capturar uma ampla
+variedade de problemas obscuros de forma automatizada. Qualquer problema
+capturado pelo computador é um problema que não afligirá um usuário mais tarde,
+portanto, é lógico que as ferramentas automatizadas devem ser usadas sempre que
+possível.
+
+O primeiro passo é simplesmente prestar atenção aos avisos (warnings) produzidos
+com o compilador. As versões contemporâneas do gcc podem detectar (e alertar
+sobre) um grande número de erros potenciais. Com bastante frequência, esses
+avisos apontam para problemas reais. O código enviado para revisão deve, como
+regra, não produzir nenhum aviso do compilador. Ao silenciar os avisos, tome o
+cuidado de entender a real causa e tente evitar "correções" que façam o aviso
+desaparecer sem resolver a sua origem.
+
+Note que nem todos os avisos do compilador ficam ativados por padrão. Compile o
+kernel com "make KCFLAGS=-W" para obter o conjunto completo.
+
+O kernel fornece várias opções de configuração que ativam recursos de
+depuração; a maioria delas é encontrada no submanu "kernel hacking". Várias
+dessas opções devem ser ativadas para qualquer kernel usado para fins de
+desenvolvimento ou teste. Em particular, você deve ativar:
+
+ - FRAME_WARN para obter avisos sobre quadros de pilha (stack frames) maiores
+ que um determinado valor. A saída gerada pode ser volumosa, mas não é
+ necessário se preocupar com os avisos de outras partes do kernel.
+
+ - DEBUG_OBJECTS adicionará código para rastrear o tempo de vida de vários
+ objetos criados pelo kernel e alertará quando as ações forem feitas fora de
+ ordem. Se você estiver adicionando um subsistema que cria (e exporta) seus
+ próprios objetos complexos, considere adicionar suporte à infraestrutura de
+ depuração de objetos.
+
+ - DEBUG_SLAB pode encontrar uma variedade de erros de alocação e uso de
+ memória; ele deve ser usado na maioria dos kernels de desenvolvimento.
+
+ - DEBUG_SPINLOCK, DEBUG_ATOMIC_SLEEP e DEBUG_MUTEXES encontrarão uma série de
+ erros comuns de locking (bloqueio).
+
+Existem várias outras opções de depuração, algumas das quais serão discutidas
+abaixo. Algumas delas têm um impacto significativo no desempenho e não devem ser
+usadas o tempo todo. Mas um tempo gasto aprendendo as opções disponíveis
+provavelmente se pagará muitas vezes em pouco tempo.
+
+Uma das ferramentas de depuração mais pesadas é o verificador de locking, ou
+"lockdep". Esta ferramenta rastreará a aquisição e a liberação de cada trava
+(spinlock ou mutex) no sistema, a ordem em que as travas são adquiridas umas em
+relação às outras, o ambiente de interrupção atual e muito mais. Ela pode,
+então, garantir que as travas sejam sempre adquiridas na mesma ordem, que as
+mesmas suposições de interrupção se apliquem em todas as situações e assim por
+diante. Em outras palavras, o lockdep pode encontrar uma série de cenários nos
+quais o sistema poderia, em raras ocasiões, entrar em deadlock. Esse tipo de
+problema pode ser doloroso (tanto para desenvolvedores quanto para usuários) em
+um sistema implantado; o lockdep permite que eles sejam encontrados de maneira
+automatizada e antecipada. Códigos com qualquer tipo de locking não trivial
+devem ser executados com o lockdep ativado antes de serem enviados para inclusão.
+
+Como um programador de kernel diligente, você irá, sem dúvida, verificar o
+status de retorno de qualquer operação (como uma alocação de memória) que possa
+falhar. O fato, porém, é que os caminhos de recuperação de falha resultantes
+estão, provavelmente, completamente não testados. Código não testado tende a ser
+código quebrado; você poderia estar muito mais confiante em seu código se todos
+esses caminhos de tratamento de erros tivessem sido exercitados algumas vezes.
+
+O kernel fornece um framework de injeção de falhas (fault injection) que pode
+fazer exatamente isso, especialmente onde alocações de memória estão
+envolvidas. Com a injeção de falhas ativada, uma porcentagem configurável das
+alocações de memória será forçada a falhar; essas falhas podem ser restritas a
+um intervalo específico de código. Executar o código com a injeção de falhas
+ativada permite ao programador ver como o código responde quando as coisas vão
+mal. Veja Documentation/fault-injection/fault-injection.rst para mais
+informações sobre como usar esse recurso.
+
+Outros tipos de erros podem ser encontrados com a ferramenta de análise estática
+"sparse". Com o sparse, o programador pode ser alertado sobre confusões entre
+endereços do espaço do usuário e do espaço do kernel, mistura de quantidades
+big-endian e small-endian, a passagem de valores inteiros onde um conjunto de
+sinalizadores de bits (bit flags) é esperado, e assim por diante. O sparse deve
+ser instalado separadamente (ele pode ser encontrado em
+https://sparse.wiki.kernel.org/index.php/Main_Page se a sua distribuição não o
+incluir como pacote); ele pode então ser executado no código adicionando "C=1"
+ao seu comando make.
+
+A ferramenta "Coccinelle" (http://coccinelle.lip6.fr/) é capaz de encontrar uma
+ampla variedade de potenciais problemas de codificação; ela também pode propor
+correções para esses problemas. Uma quantidade considerável de "patches
+semânticos" para o kernel foi empacotada sob o diretório scripts/coccinelle;
+executar "make coccicheck" passará por esses patches semânticos e relatará
+quaisquer problemas encontrados. Veja
+:ref:`Documentation/dev-tools/coccinelle.rst <devtools_coccinelle>`
+para mais informações.
+
+Outros tipos de erros de portabilidade são encontrados mais facilmente ao
+compilar seu código para outras arquiteturas. Se você por acaso não tiver um
+sistema S/390 ou uma placa de desenvolvimento Blackfin à mão, ainda assim poderá
+realizar a etapa de compilação. Um grande conjunto de compiladores cruzados
+(cross-compilers) para sistemas x86 pode ser encontrado em:
+
+ https://www.kernel.org/pub/tools/crosstool/
+
+Um tempo gasto instalando e usando esses compiladores ajudará a evitar
+constrangimentos mais tarde.
+
+
+Documentação
+-------------
+
+A documentação frequentemente tem sido mais a exceção do que a regra no
+desenvolvimento do kernel. Mesmo assim, uma documentação adequada ajudará a
+facilitar a integração de novos códigos ao kernel, tornará a vida mais fácil para
+outros desenvolvedores e será útil para os seus usuários. Em muitos casos, a
+adição de documentação tornou-se essencialmente obrigatória.
+
+A primeira parte da documentação de qualquer patch é o seu log de alterações
+(changelog) associado. As entradas do log devem descrever o problema que está
+sendo resolvido, a forma da solução, as pessoas que trabalharam no patch,
+quaisquer efeitos relevantes no desempenho e qualquer outra coisa que possa ser
+necessária para entender o patch. Certifique-se de que o changelog diga o
+*porquê* de o patch valer a pena ser aplicado; um número surpreendente de
+desenvolvedores falha em fornecer essa informação.
+
+Qualquer código que adicione uma nova interface de espaço do usuário — incluindo
+novos arquivos sysfs ou /proc — deve incluir a documentação dessa interface, de
+modo a permitir que os desenvolvedores do espaço do usuário saibam com o que
+estão trabalhando. Veja Documentation/ABI/README para uma descrição de como essa
+documentação deve ser formatada e quais informações precisam ser fornecidas.
+
+O arquivo :ref:`Documentation/admin-guide/kernel-parameters.rst
+<kernelparameters>` descreve todos os parâmetros de boot do kernel. Qualquer
+patch que adicione novos parâmetros deve adicionar as entradas apropriadas a
+este arquivo.
+
+Quaisquer novas opções de configuração devem ser acompanhadas por um texto de
+ajuda que explique claramente as opções e quando o usuário pode querer
+selecioná-las.
+
+As informações de API interna de muitos subsistemas são documentadas por meio de
+comentários com formatação especial; esses comentários podem ser extraídos e
+formatados de várias maneiras pelo script "kernel-doc". Se você estiver
+trabalhando em um subsistema que possui comentários kerneldoc, você deve
+mantê-los e adicioná-los, conforme apropriado, para funções disponíveis
+externamente. Mesmo em áreas que não tenham sido documentadas dessa forma, não há
+mal nenhum em adicionar comentários kerneldoc para o futuro; de fato, esta pode
+ser uma atividade útil para desenvolvedores iniciantes de kernel. O formato
+desses comentários, junto com algumas informações sobre como criar modelos de
+kerneldoc, pode ser encontrado em :ref:`Documentation/doc-guide/ <doc_guide>`.
+
+Qualquer pessoa que leia uma quantidade significativa de código existente do
+kernel notará que, frequentemente, os comentários chamam a atenção por sua
+ausência. Mais uma vez, as expectativas para códigos novos são mais altas do que
+eram no passado; integrar código sem comentários será mais difícil. Dito isso,
+há pouco interesse em códigos comentados de forma prolixa. O código deve, por si
+só, ser legível, com os comentários explicando os aspectos mais sutis.
+
+Certas coisas devem sempre ser comentadas. O uso de barreiras de memória
+(memory barriers) deve ser acompanhado por uma linha explicando por que a
+barreira é necessária. As regras de locking (bloqueio) para estruturas de dados
+geralmente precisam ser explicadas em algum lugar. Grandes estruturas de dados
+precisam de uma documentação abrangente em geral. Dependências não óbvias entre
+trechos distintos de código devem ser apontadas. Qualquer coisa que possa tentar
+um "faxineiro de código" (code janitor) a fazer uma "limpeza" incorreta precisa
+de um comentário dizendo por que foi feita daquela maneira. E assim por diante.
+
+
+Alterações de API interna
+-------------------------
+
+A interface binária fornecida pelo kernel para o espaço do usuário não pode ser
+quebrada, exceto sob as circunstâncias mais graves. Por outro lado, as
+interfaces de programação internas do kernel são altamente fluidas e podem ser
+alteradas quando surgir a necessidade. Se você se encontrar tendo que criar uma
+gambiarra para contornar uma API do kernel, ou simplesmente deixando de usar uma
+funcionalidade específica porque ela não atende às suas necessidades, isso pode
+ser um sinal de que a API precisa mudar. Como desenvolvedor de kernel, você tem
+o poder de fazer tais alterações.
+
+Existem, é claro, algumas pegadinhas. Alterações de API podem ser feitas, mas
+precisam ser bem justificadas. Portanto, qualquer patch que faça uma alteração de
+API interna deve ser acompanhado por uma descrição do que é a mudança e do porquê
+ela é necessária. Esse tipo de alteração também deve ser separado em um patch
+independente, em vez de ser enterrado dentro de um patch maior.
+
+A outra pegadinha é que o desenvolvedor que altera uma API interna é geralmente
+encarregado da tarefa de corrigir qualquer código dentro da árvore do kernel que
+tenha sido quebrado pela mudança. Para uma função amplamente utilizada, esse
+dever pode levar a literalmente centenas ou milhares de alterações — muitas das
+quais provavelmente entrarão em conflito com o trabalho que está sendo feito por
+outros desenvolvedores. Desnecessário dizer que isso pode ser um grande
+trabalho, então é melhor ter certeza de que a justificativa é sólida. Note que
+a ferramenta Coccinelle pode ajudar com alterações de API de amplo alcance.
+
+Ao fazer uma alteração incompatível de API, deve-se, sempre que possível,
+garantir que o código que não foi atualizado seja capturado pelo compilador.
+Isso ajudará você a ter certeza de que encontrou todos os usos dessa interface
+dentro da árvore (in-tree). Isso também alertará os desenvolvedores de códigos
+fora da árvore (out-of-tree) de que há uma mudança à qual eles precisam
+responder. Dar suporte a código fora da árvore não é algo com que os
+desenvolvedores do kernel precisem se preocupar, mas também não temos que
+tornar a vida dos desenvolvedores fora da árvore mais difícil do que precisa ser.
diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/development-process.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/development-process.rst
index 599c34c85..71f151f36 100644
--- a/Documentation/translations/pt_BR/process/development-process.rst
+++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/development-process.rst
@@ -20,3 +20,5 @@ conhecimento profundo de programação de kernel para ser compreendida.
1.Intro
2.Process
3.Early-stage
+ 4.Coding
+
--
2.47.3
^ permalink raw reply related [flat|nested] 3+ messages in thread
* [PATCH 2/2] docs: pt_BR: Translate patch posting documentation
2026-06-14 23:50 [PATCH 0/2] docs: pt_BR: Translate coding and posting guidelines Daniel Pereira
2026-06-14 23:50 ` [PATCH 1/2] docs: pt_BR: Translate 4.coding.rst into Portuguese Daniel Pereira
@ 2026-06-14 23:50 ` Daniel Pereira
1 sibling, 0 replies; 3+ messages in thread
From: Daniel Pereira @ 2026-06-14 23:50 UTC (permalink / raw)
To: Jonathan Corbet; +Cc: linux-doc, Daniel Pereira
[-- Warning: decoded text below may be mangled, UTF-8 assumed --]
[-- Attachment #1: Type: text/plain; charset=y, Size: 22365 bytes --]
Translate the chapter regarding the process of formatting and sending
patches ("5.Posting.rst") into Brazilian Portuguese.
Also, update the main index in "development-process.rst" to include
the newly translated document into the documentation tree.
Signed-off-by: Daniel Pereira <danielmaraboo@gmail.com>
---
.../translations/pt_BR/process/5.Posting.rst | 376 ++++++++++++++++++
.../pt_BR/process/development-process.rst | 2 +-
2 files changed, 377 insertions(+), 1 deletion(-)
create mode 100644 Documentation/translations/pt_BR/process/5.Posting.rst
diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/5.Posting.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/5.Posting.rst
new file mode 100644
index 000000000..820a56b66
--- /dev/null
+++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/5.Posting.rst
@@ -0,0 +1,376 @@
+.. SPDX-License-Identifier: GPL-2.0
+
+Enviando patches
+================
+
+Cedo ou tarde, chega o momento em que seu trabalho está pronto para ser
+apresentado à comunidade para revisão e, eventualmente, inclusão no kernel
+mainline. Sem surpresa, a comunidade de desenvolvimento do kernel evoluiu um
+conjunto de convenções e procedimentos que são usados no envio de patches;
+segui-los tornará a vida muito mais fácil para todos os envolvidos. Este
+documento tentará cobrir essas expectativas em detalhes razoáveis; mais
+informações também podem ser encontradas nos arquivos
+:ref:`Documentation/process/submitting-patches.rst <submittingpatches>`
+e :ref:`Documentation/process/submit-checklist.rst <submitchecklist>`.
+
+
+Quando enviar
+-------------
+
+Existe uma tentação constante de evitar o envio de patches antes que eles
+estejam completamente "prontos". Para patches simples, isso não é um problema.
+No entanto, se o trabalho que está sendo feito for complexo, há muito a se
+ganhar obtendo feedback da comunidade antes que o trabalho esteja concluído.
+Portanto, você deve considerar o envio de trabalhos em andamento, ou até mesmo
+disponibilizar uma árvore git para que os desenvolvedores interessados possam
+acompanhar o seu trabalho a qualquer momento.
+
+Ao enviar um código que ainda não é considerado pronto para inclusão, é uma boa
+ideia dizer isso no próprio envio. Mencione também qualquer trabalho importante
+que ainda precise ser feito e quaisquer problemas conhecidos. Menos pessoas vão
+olhar para patches que sabidamente estão "meio cozidos" (half-baked), mas aqueles
+que o fizerem virão com a ideia de que podem ajudá-lo a conduzir o trabalho na
+direção certa.
+
+
+Antes de criar patches
+----------------------
+
+Há uma série de coisas que devem ser feitas antes de você considerar o envio
+de patches para la comunidade de desenvolvimento. Elas incluem:
+
+ - Teste o código tanto quanto puder. Faça uso das ferramentas de depuração
+ do kernel, garanta que o kernel seja compilado com todas as combinações
+ razoáveis de opções de configuração, use compiladores cruzados (cross-
+ compilers) para compilar para diferentes arquiteturas, etc. Adicione testes,
+ provavelmente usando um framework de testes existente como o KUnit, e
+ inclua-os como um membro separado da sua série (veja a próxima seção para
+ mais informações sobre séries de patches). Note que isso pode ser
+ obrigatório ao afetar alguns subsistemas. Por exemplo, funções de biblioteca
+ (localizadas sob lib/) são amplamente utilizadas em quase todos os lugares e
+ espera-se que sejam testadas adequadamente.
+
+ - Certifique-se de que seu código esteja em conformidade com as diretrizes de
+ estilo de codificação do kernel.
+
+ - Sua alteração tem implicações no desempenho? Se sim, você deve executar
+ benchmarks mostrando qual é o impacto (ou benefício) da sua mudança; um
+ resumo dos resultados deve ser incluído junto ao patch.
+
+ - Tenha certeza de que você tem o direito de enviar o código. Se este
+ trabalho foi feito para um empregador, o empregador provavelmente tem direito
+ sobre o trabalho e deve estar de acordo com a sua liberação sob a GPL.
+
+Como regra geral, dedicar um pouco de reflexão extra antes de enviar o código
+quase sempre compensa o esforço em pouco tempo.
+
+
+Preparação de patches
+---------------------
+
+A preparação de patches para envio pode dar uma quantidade surpreendente de
+trabalho, mas, mais uma vez, tentar economizar tempo aqui geralmente não é
+aconselhável, mesmo a curto prazo.
+
+Os patches devem ser preparados contra uma versão específica do kernel. Como
+regra geral, um patch deve ser baseado no mainline atual encontrado na árvore
+git do Linus. Ao basear-se no mainline, comece a partir de um ponto de
+lançamento bem conhecido — um release estável ou -rc —, em vez de criar uma
+bifurcação (branch) a partir do mainline em um ponto arbitrário.
+
+No entanto, pode tornar-se necessário criar versões contra a árvore -mm,
+linux-next ou a árvore de um subsistema, para facilitar testes e revisões mais
+amplos. Dependendo da área do seu patch e do que está acontecendo em outros
+lugares, basear um patch contra essas outras árvores pode exigir uma quantidade
+significativa de trabalho para resolver conflitos e lidar com mudanças de API.
+
+Apenas as alterações mais simples devem ser formatadas como um único patch; tudo
+o mais deve ser feito como uma série lógica de mudanças. Dividir patches é uma
+arte; alguns desenvolvedores passam muito tempo descobrindo como fazer isso da
+maneira que a comunidade espera. Existem algumas regras práticas, no entanto,
+que podem ajudar consideravelmente:
+
+ - A série de patches que você envia quase certamente não será a série de
+ alterações encontrada no seu sistema de controle de versão de trabalho. Em
+ vez disso, as mudanças que você fez precisam ser consideradas em sua forma
+ final e, então, divididas de maneiras que façam sentido. Os desenvolvedores
+ estão interessados em alterações discretas e autocontidas, não no caminho
+ que você percorreu para chegar a essas alterações.
+
+ - Cada alteração logicamente independente deve ser formatada como um patch separado.
+ Essas alterações podem ser pequenas ("adicionar um campo a esta estrutura") ou
+ grandes (adicionar um driver totalmente novo, por exemplo), mas devem ser
+ conceitualmente pequenas e passíveis de uma descrição de uma única linha. Cada
+ patch deve fazer uma alteração específica que possa ser revisada por si só e
+ verificada para garantir que faz o que diz fazer.
+
+ - Como uma forma de reafirmar a diretriz acima: não misture diferentes tipos de
+ alterações no mesmo patch. Se um único patch corrige uma falha crítica de
+ segurança, reorganiza algumas estruturas e reformatará o código, há uma grande
+ chance de que ele seja ignorado e a correção importante seja perdida.
+
+ - Cada patch deve resultar em um kernel que compile e funcione corretamente; se
+ sua série de patches for interrompida no meio, o resultado ainda deve ser um
+ kernel funcional. A aplicação parcial de uma série de patches é um cenário
+ comum quando a ferramenta "git bisect" é usada para encontrar regressões; se o
+ resultado for um kernel quebrado, você tornará a vida mais difícil para os
+ desenvolvedores e usuários que estão engajados no nobre trabalho de rastrear
+ problemas.
+
+ - No entanto, não exagere. Certa vez, um desenvolvedor enviou um conjunto de
+ edições em um único arquivo como 500 patches separados — um ato que não o
+ tornou a pessoa mais popular na lista de discussão do kernel. Um único patch
+ pode ser razoavelmente grande, desde que ainda contenha uma única alteração
+ *lógica*.
+
+ - Pode ser tentador adicionar toda uma nova infraestrutura com uma série de
+ patches, mas deixar essa infraestrutura sem uso até que o patch final da série
+ ative tudo. Essa tentação deve ser evitada, se possível; se essa série
+ adicionar regressões, a bisseção (bisection) apontará o último patch como aquele
+ que causou o problema, mesmo que o bug real esteja em outro lugar. Sempre que
+ possível, um patch que adiciona código novo deve tornar esse código ativo
+ imediatamente.
+
+Trabalhar para criar a série de patches perfeita pode ser um processo
+frustrante, que exige bastante tempo e reflexão após o "trabalho real" ter sido
+concluído. Quando feito corretamente, no entanto, é um tempo bem gasto.
+
+
+Formatação de patches e logs de alterações
+------------------------------------------
+
+Então agora você tem uma série perfeita de patches para enviar, mas o trabalho
+ainda não terminou. Cada patch precisa ser formatado em uma mensagem que comunique
+de forma rápida e clara o seu propósito para o resto do mundo. Para esse fim,
+cada patch será composto pelo seguinte:
+
+ - Uma linha "From" opcional que nomeia o autor do patch. Esta linha só é
+ necessária se você estiver repassando o patch de outra pessoa via e-mail,
+ mas nunca é demais adicioná-la em caso de dúvida.
+
+ - Uma descrição de uma única linha sobre o que o patch faz. Esta mensagem deve
+ ser suficiente para que um leitor que a veja sem outro contexto consiga
+ compreender o escopo do patch; esta é a linha que aparecerá nos logs de
+ alterações (changelogs) de "forma curta". Esta mensagem geralmente é formatada
+ com o nome do subsistema relevante primeiro, seguido pelo propósito do patch.
+ Por exemplo:
+
+ ::
+
+ gpio: fix build on CONFIG_GPIO_SYSFS=n
+
+ - Uma linha em branco seguida por uma descrição detalhada do conteúdo do
+ patch. Esta descrição pode ser tão longa quanto necessário; ela deve dizer
+ o que o patch faz e por que ele deve ser aplicado ao kernel.
+
+ - Uma ou mais linhas de marcadores (tags) com, no mínimo, uma linha
+ "Signed-off-by:" do autor do patch. Os marcadores serão descritos em mais
+ detalhes abaixo.
+
+Os itens acima, juntos, formam o log de alterações (changelog) do patch. Escrever
+bons changelogs é uma arte crucial, mas frequentemente negligenciada; vale a
+pena dedicar mais um momento para discutir esse assunto. Ao escrever um
+changelog, você deve ter em mente que várias pessoas diferentes lerão suas
+palavras. Elas incluem mantenedores de subsistemas e revisores que precisam
+decidir se o patch deve ser incluído, distribuidores e outros mantenedores
+tentando decidir se um patch deve ser retroportado (backported) para outros
+kernels, caçadores de bugs se perguntando se o patch é responsável por um
+problema que estão perseguindo, usuários que querem saber como o kernel mudou e
+muito mais. Um bom changelog transmite a informação necessária para todas essas
+pessoas da maneira mais direta e concisa possível.
+
+Para esse fim, a linha de resumo deve descrever os efeitos e a motivação da
+alteração o melhor possível, dada a restrição de uma única linha. A descrição
+detalhada pode então ampliar esses tópicos e fornecer qualquer informação
+adicional necessária. Se o patch corrige um bug, cite o commit que introduziu o
+bug, se possível (e, por favor, forneça tanto o ID do commit quanto o título ao
+citar commits). Se um problema estiver associado a uma saída específica de log
+ou do compilador, inclua essa saída para ajudar outras pessoas que buscam uma
+solução para o mesmo problema. Se a mudança tem o objetivo de dar suporte a
+outras alterações que virão em um patch posterior, informe isso. Se as APIs
+internas forem alteradas, detalhe essas mudanças e como outros desenvolvedores
+devem reagir. Em geral, quanto mais você puder se colocar no lugar de todos que
+lerão seu changelog, melhor será esse changelog (e o kernel como um todo).
+
+Desnecessário dizer que o changelog deve ser o texto usado ao submeter (commit)
+a alteração em um sistema de controle de versão. Ele será seguido por:
+
+ - O patch em si, no formato de patch unificado ("-u"). O uso da opção "-p" no
+ diff associará os nomes das funções às alterações, tornando o patch resultante
+ mais fácil de ser lido por outras pessoas.
+
+As tags já mencionadas brevemente acima são usados para fornecer
+informações sobre como o patch surgiu. Eles são descritos em detalhes no
+documento :ref:`Documentation/process/submitting-patches.rst <submittingpatches>`;
+o que se segue aqui é um breve resumo.
+
+Um marcador é usado para se referir a commits anteriores que introduziram os
+problemas corrigidos pelo patch::
+
+ Fixes: 1f2e3d4c5b6a ("The first line of the commit specified by the first 12 characters of its SHA-1 ID")
+
+Outro marcador é usado para vincular páginas da web com contextos ou detalhes
+adicionais, por exemplo, uma discussão anterior que levou ao patch ou um
+documento com uma especificação implementada pelo patch::
+
+ Link: https://example.com/somewhere.html optional-other-stuff
+
+De acordo com as orientações do Pinguim-Chefe, um marcador Link
+só deve ser adicionado a um commit se ele levar a informações úteis que não
+são encontradas no próprio commit.
+
+Se a URL apontar para um relatório de bug público que está sendo corrigido pelo
+patch, use o marcador "Closes:" em seu lugar::
+
+ Closes: https://example.com/issues/1234 optional-other-stuff
+
+Alguns rastreadores de bugs têm a capacidade de fechar problemas de forma
+automática quando um commit com tal marcador é aplicado. Alguns bots que
+monitoram listas de discussão também podem rastrear esses marcadores e tomar certas
+ações. Rastreadores de bugs privados e URLs inválidas são proibidos.
+
+Outro tipo de marcador é usado para documentar quem esteve envolvido no
+desenvolvimento do patch. Cada um deles usa este formato::
+
+ tag: Full Name <email address> optional-other-stuff
+
+Os marcadores de uso comum são:
+
+ - Signed-off-by: esta é uma certificação do desenvolvedor de que ele ou ela
+ tem o direito de enviar o patch para inclusão no kernel. É um acordo com o
+ Developer's Certificate of Origin (Certificado de Origem do Desenvolvedor),
+ cujo texto completo pode ser encontrado em
+ :ref:`Documentation/process/submitting-patches.rst <submittingpatches>`.
+ Códigos sem um signoff adequado não podem ser mesclados (merged) no mainline.
+
+ - Co-developed-by: afirma que o patch foi criado em coautoria por vários
+ desenvolvedores; é usado para dar atribuição aos coautores (além do autor
+ atribuído pelo marcador From:) quando várias pessoas trabalham em um único
+ patch. Cada Co-developed-by: deve ser imediatamente seguido por um
+ Signed-off-by: do coautor associado. Detalhes e exemplos podem ser encontrados
+ em :ref:`Documentation/process/submitting-patches.rst <submittingpatches>`.
+
+ - Acked-by: indica o acordo de outro desenvolvedor (frequentemente um
+ mantenedor do código relevante) de que o patch é apropriado para inclusão
+ no kernel.
+
+ - Tested-by: afirma que a pessoa nomeada testou o patch e verificou que ele
+ funciona.
+
+ - Reviewed-by: o desenvolvedor nomeado revisou o patch para verificar sua
+ correção; veja a declaração do revisor em
+ :ref:`Documentation/process/submitting-patches.rst <submittingpatches>`
+ para mais detalhes.
+
+ - Reported-by: nomeia um usuário que relatou o problema que é corrigido por este
+ patch; este marcador é usado para dar crédito às pessoas (frequentemente sub-
+ valorizadas) que testam nosso código e nos informam quando as coisas não
+ funcionam corretamente. Nota: este marcador deve ser seguido por um marcador
+ Closes: apontando para o relato, a menos que o relato não esteja disponível na
+ web. O marcador Link: pode ser usado em vez de Closes: se o patch corrigir
+ apenas uma parte do(s) problema(s) relatado(s).
+
+ - A Suggested-by: este marcador indica que a ideia do patch foi sugerida pela
+ pessoa nomeada e garante o crédito a ela pela ideia. Isso, espera-se, irá
+ inspirá-la a nos ajudar novamente no futuro.
+
+ - Cc: a pessoa nomeada recebeu uma cópia do patch e teve a oportunidade de
+ comentar sobre ele.
+
+Tenha cuidado ao adicionar os marcadores mencionados acima aos seus patches, pois
+todos, exceto Cc:, Reported-by: e Suggested-by:, precisam de permissão explícita
+fontes da pessoa nomeada. Para esses três, a permissão implícita é suficiente se
+a pessoa contribuiu para o kernel Linux usando esse nome e endereço de e-mail de
+acordo com os arquivos do lore ou o histórico de commits — e, no caso de
+Reported-by: e Suggested-by:, se fizeram o relato ou a sugestão publicamente.
+Nota: o bugzilla.kernel.org é um local público nesse sentido, mas os endereços
+de e-mail usados lá são privados; portanto, não os exponha em marcadores, a menos
+que a pessoa os tenha usado em contribuições anteriores.
+
+
+Enviando o patch
+-----------------
+
+Antes de enviar seus patches por e-mail, há algumas outras coisas com as quais
+você deve se preocupar:
+
+ - Você tem certeza de que seu cliente de e-mail não vai corromper os patches?
+ Patches que sofreram alterações desnecessárias de espaço em branco ou quebra
+ de linha causadas pelo cliente de e-mail não serão aplicados na outra ponta
+ e, frequentemente, não serão examinados em detalhes. Se houver qualquer
+ dúvida, envie o patch para você mesmo e certifique-se de que ele chegue intacto.
+
+ O documento :ref:`Documentation/process/email-clients.rst <email_clients>`
+ possui algumas dicas úteis sobre como fazer clientes de e-mail específicos
+ funcionarem para o envio de patches.
+
+ - Você tem certeza de que seu patch está livre de erros bobos? Você deve sempre
+ passar os patches pelo scripts/checkpatch.pl e corrigir as reclamações que
+ ele apresentar. Por favor, tenha em mente que o checkpatch.pl, embora seja a
+ personificação de uma quantidade razoável de reflexão sobre como os patches do
+ kernel devem parecer, não é mais inteligente que você. Se corrigir uma
+ reclamação do checkpatch.pl piorar o código, não o faça.
+
+Os patches devem sempre ser enviados como texto simples (plain text). Por favor,
+não os envie como anexos; isso torna muito mais difícil para os revisores citarem
+trechos do patch em suas respostas. Em vez disso, coloque o patch diretamente no
+corpo da sua mensagem.
+
+Ao enviar patches por e-mail, é importante enviar cópias para qualquer pessoa
+que possa estar interessada neles. Ao contrário de alguns outros projetos, o
+kernel incentiva as pessoas a pecarem pelo excesso, enviando cópias demais; não
+assuma que as pessoas relevantes verão sua publicação nas listas de discussão. Em
+particular, as cópias devem ir para:
+
+- O(s) mantenedor(es) do(s) subsistema(s) afetado(s). Como descrito antes, o
+ arquivo MAINTAINERS é o primeiro lugar para procurar por essas pessoas.
+
+ - Outros desenvolvedores que estiveram trabalhando na mesma área — especialmente
+ aqueles que possam estar trabalhando lá agora. Usar o git para ver quem mais
+ modificou os arquivos nos quais você está trabalhando pode ser útil.
+
+ - Se você estiver respondendo a um relato de bug ou a uma solicitação de recurso
+ (feature request), envie uma cópia também para o autor original.
+
+ - Envie uma cópia para a lista de discussão relevante ou, se nada mais se
+ aplicar, para a lista linux-kernel.
+
+ - Se você estiver corrigindo um bug, pense se a correção deve ir para a próxima
+ atualização estável (stable update). Se sim, stable@vger.kernel.org deve
+ receber uma cópia do patch. Adicione também um "Cc: stable@vger.kernel.org"
+ aos marcadores (tags) dentro do próprio patch; isso fará com que a equipe do
+ stable receba uma notificação quando sua correção for integrada ao mainline.
+
+Ao selecionar os destinatários para um patch, é bom ter uma ideia de quem você
+acha que eventualmente aceitará o patch e fará a mesclagem (merge). Embora seja
+possível enviar patches diretamente para Linus Torvalds e fazer com que ele os
+mescle, as coisas normalmente não são feitas dessa forma. Linus está ocupado, e
+existem mantenedores de subsistemas que vigiam partes específicas do kernel. Em
+geral, você desejará que esse mantenedor mescle seus patches. Se não houver um
+mantenedor óbvio, Andrew Morton costuma ser o destino de patch de último recurso.
+
+Os patches precisam de boas linhas de assunto (subject lines). O formato canônico
+para a linha de um patch é algo como:
+
+::
+
+
+ [PATCH nn/mm] subsys: descrição de uma linha do patch
+
+onde "nn" é o número ordinal do patch, "mm" é o número total de patches na
+série, e "subsys" é o nome do subsistema afetado. Claramente, nn/mm pode ser
+omitido no caso de um patch único e isolado (standalone).
+
+Se você tiver uma série significativa de patches, é costumeiro enviar uma
+descrição introdutória como a parte zero. Essa convenção não é seguida
+universalmente, no entanto; se você a utilizar, lembre-se de que as informações
+da introdução não entram nos changelogs do kernel. Portanto, certifique-se de
+que os patches, em si, possuam informações completas em seus changelogs.
+
+Em geral, a segunda parte e as subsequentes de um patch de múltiplas partes devem
+ser enviadas como uma resposta à primeira parte, de modo que todas formem uma
+única linha de discussão (thread) na ponta receptora. Ferramentas como o git e o
+quilt possuem comandos para enviar por e-mail um conjunto de patches com o
+encadeamento correto. Se você tiver uma série longa, contudo, e estiver usando o
+git, por favor, evite a opção --chain-reply-to para não criar um aninhamento
+excepcionalmente profundo.
diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/development-process.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/development-process.rst
index 71f151f36..e9f04df62 100644
--- a/Documentation/translations/pt_BR/process/development-process.rst
+++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/development-process.rst
@@ -21,4 +21,4 @@ conhecimento profundo de programação de kernel para ser compreendida.
2.Process
3.Early-stage
4.Coding
-
+ 5.Posting
--
2.47.3
^ permalink raw reply related [flat|nested] 3+ messages in thread
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2026-06-14 23:50 [PATCH 0/2] docs: pt_BR: Translate coding and posting guidelines Daniel Pereira
2026-06-14 23:50 ` [PATCH 1/2] docs: pt_BR: Translate 4.coding.rst into Portuguese Daniel Pereira
2026-06-14 23:50 ` [PATCH 2/2] docs: pt_BR: Translate patch posting documentation Daniel Pereira
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