From: Daniel Pereira <danielmaraboo@gmail.com>
To: corbet@lwn.net
Cc: linux-doc@vger.kernel.org, Daniel Pereira <danielmaraboo@gmail.com>
Subject: [PATCH 4/4] docs: pt_BR: Translate deprecated interfaces guide to Portuguese
Date: Wed, 15 Jul 2026 23:10:12 -0300 [thread overview]
Message-ID: <20260716021013.48025-5-danielmaraboo@gmail.com> (raw)
In-Reply-To: <20260716021013.48025-1-danielmaraboo@gmail.com>
[-- Warning: decoded text below may be mangled, UTF-8 assumed --]
[-- Attachment #1: Type: text/plain; charset=y, Size: 22877 bytes --]
Translate the deprecated interfaces, language features, attributes, and
conventions document (deprecated.rst) to Portuguese (pt_BR).
This ensures Portuguese-speaking developers have access to local guidelines
on deprecated APIs (like BUG(), strcpy(), and VLAs), correct usage of
safe alternatives (like WARN(), strscpy(), and flexible array members),
and modern object allocator macros (kmalloc_obj).
Signed-off-by: Daniel Pereira <danielmaraboo@gmail.com>
---
Documentation/translations/pt_BR/index.rst | 2 +-
.../translations/pt_BR/process/deprecated.rst | 422 ++++++++++++++++++
2 files changed, 423 insertions(+), 1 deletion(-)
create mode 100644 Documentation/translations/pt_BR/process/deprecated.rst
diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/index.rst b/Documentation/translations/pt_BR/index.rst
index 5911442f6..d2a75f5de 100644
--- a/Documentation/translations/pt_BR/index.rst
+++ b/Documentation/translations/pt_BR/index.rst
@@ -86,5 +86,5 @@ kernel e sobre como ver seu trabalho integrado.
Lista de verificação para submissão de patches do kernel Linux <process/submit-checklist>
Interpretação do Código de Conduta do Kernel Linux <process/code-of-conduct-interpretation>
Código de Conduta de Compromisso do Colaborador <process/code-of-conduct>
-
+ Interfaces, recursos de linguagem, atributos e convenções obsoletos <process/deprecated>
diff --git a/Documentation/translations/pt_BR/process/deprecated.rst b/Documentation/translations/pt_BR/process/deprecated.rst
new file mode 100644
index 000000000..2793a1fc9
--- /dev/null
+++ b/Documentation/translations/pt_BR/process/deprecated.rst
@@ -0,0 +1,422 @@
+.. SPDX-License-Identifier: GPL-2.0
+
+========================================================================
+Interfaces, recursos de linguagem, atributos e convenções obsoletos
+========================================================================
+
+Em um mundo perfeito, seria possível converter todas as instâncias de alguma
+API obsoleta para a nova API e remover completamente a API antiga em um único
+ciclo de desenvolvimento. No entanto, devido ao tamanho do kernel, à hierarquia
+de manutenção e ao cronograma, nem sempre é viável realizar esse tipo de
+conversão de uma só vez. Isso significa que novas instâncias podem acabar
+entrando no kernel enquanto as antigas estão sendo removidas, apenas aumentando
+o volume de trabalho para remover a API. A fim de instruir os desenvolvedores
+sobre o que se tornou obsoleto e o porquê, esta lista foi criada para servir de
+referência quando o uso de elementos obsoletos for proposto para inclusão no
+kernel.
+
+__deprecated
+------------
+Embora este atributo marque visualmente uma interface como obsoleta, ele `não
+gera mais avisos durante as compilações
+<https://git.kernel.org/linus/771c035372a036f83353eef46dbb829780330234>`_ porque
+um dos objetivos permanentes do kernel é compilar sem avisos (*warnings*), e
+ninguém estava de fato agindo para remover essas interfaces obsoletas. Embora o
+uso de `__deprecated` seja útil para sinalizar uma API antiga em um arquivo de
+cabeçalho (*header file*), não é a solução completa. Tais interfaces devem ser
+totalmente removidas do kernel ou adicionadas a este arquivo para desestimular
+outros desenvolvedores de usá-las no futuro.
+
+BBUG() e BUG_ON()
+-----------------
+Em vez disso, use WARN() e WARN_ON() e trate a condição de erro "impossível"
+da forma mais amigável possível. Embora a família de APIs BUG() tenha sido
+originalmente projetada para agir como uma asserção de "situação impossível" e
+eliminar uma thread do kernel de forma "segura", ela se mostrou arriscada
+demais. (Por exemplo: "Em que ordem os bloqueios precisam ser liberados? Os
+diversos estados foram restaurados?") Muito frequentemente, o uso de BUG() vai
+desestabilizar o sistema ou travá-lo por completo, o que torna impossível
+depurar ou até mesmo obter relatórios de travamento (*crash reports*) viáveis.
+Linus tem opiniões `muito fortes
+<https://lore.kernel.org/lkml/CA+55aFy6jNLsywVYdGp83AMrXBo_P-pkjkphPGrO=82SPKCpLQ@mail.gmail.com/>`_
+`sobre isso
+<https://lore.kernel.org/lkml/CAHk-=whDHsbK3HTOpTF=ue_o04onRwTEaK_ZoJp_fjbqq4+=Jw@mail.gmail.com/>`_.
+
+Note que a família WARN() só deve ser usada para situações que "espera-se que
+sejam inacessíveis". Se você quiser alertar sobre situações que são
+"acessíveis, mas indesejáveis", use a família de funções pr_warn(). Os
+administradores do sistema podem ter configurado o sysctl *panic_on_warn* para
+garantir que seus sistemas não continuem executando diante de condições
+"inacessíveis". (Para exemplos, veja commits como `este aqui
+<https://git.kernel.org/linus/d4689846881d160a4d12a514e991a740bcb5d65a>`_.)
+
+Aritmética explícita em argumentos do alocador
+----------------------------------------------
+Cálculos dinâmicos de tamanho (especialmente multiplicação) não devem ser
+realizados em argumentos de funções de alocação de memória (ou similares)
+devido ao risco de estouro de capacidade (*overflow*). Isso poderia fazer com
+que os valores dessem a volta (*wrap around*), resultando em uma alocação menor
+do que o esperado pelo chamador. O uso dessas alocações pode levar a estouros
+lineares na memória heap e a outros comportamentos incorretos. (Uma exceção a
+isso são valores literais onde o compilador pode emitir um aviso se houver
+risco de estouro. No entanto, a maneira preferível nesses casos é refatorar o
+código conforme sugerido abaixo para evitar a aritmética explícita.)
+
+Por exemplo, não use ``count * size`` como argumento, como em::
+
+ foo = kmalloc(count * size, GFP_KERNEL);
+
+Em vez disso, a forma de dois fatores do alocador deve ser utilizada::
+
+ foo = kmalloc_array(count, size, GFP_KERNEL);
+
+Especificamente, kmalloc() pode ser substituído por kmalloc_array(), e
+kzalloc() pode ser substituído por kcalloc().
+
+Se nenhuma forma de dois fatores estiver disponível, os auxiliares de
+saturação em estouro (*saturate-on-overflow*) devem ser usados::
+
+ bar = dma_alloc_coherent(dev, array_size(count, size), &dma, GFP_KERNEL);
+
+Outro caso comum a ser evitado é calcular o tamanho de uma estrutura com uma
+matriz final de outras estruturas, como em::
+
+ header = kzalloc(sizeof(*header) + count * sizeof(*header->item),
+ GFP_KERNEL);
+
+Em vez disso, use o auxiliar::
+
+ header = kzalloc(struct_size(header, item, count), GFP_KERNEL);
+
+.. note:: Se você estiver usando struct_size() em uma estrutura que contém uma
+ matriz de comprimento zero ou de um único elemento como membro final,
+ refatore o uso dessa matriz e mude para um `membro de matriz flexível
+ <#zero-length-and-one-element-arrays>`_ em seu lugar.
+
+Para outros cálculos, faça a composição usando os auxiliares size_mul(),
+size_add() e size_sub(). Por exemplo, no caso de::
+
+ foo = krealloc(current_size + chunk_size * (count - 3), GFP_KERNEL);
+
+Em vez disso, use os auxiliares::
+
+ foo = krealloc(size_add(current_size,
+ size_mul(chunk_size,
+ size_sub(count, 3))), GFP_KERNEL);
+
+Para mais detalhes, veja também array3_size() e flex_array_size(), bem como as
+funções relacionadas das famílias check_mul_overflow(), check_add_overflow(),
+check_sub_overflow() e check_shl_overflow().\
+
+simple_strtol(), simple_strtoll(), simple_strtoul(), simple_strtoull()
+----------------------------------------------------------------------
+As funções simple_strtol(), simple_strtoll(), simple_strtoul() e
+simple_strtoull() ignoram explicitamente estouros de capacidade (*overflows*),
+o que pode levar a resultados inesperados nos chamadores. As respectivas
+funções kstrtol(), kstrtoll(), kstrtoul() e kstrtoull() tendem a ser as
+substitutas corretas, embora se deva notar que estas exigem que a string seja
+terminada em NUL ou em nova linha (*newline*).
+
+strcpy()
+--------
+A função strcpy() não realiza verificação de limites no buffer de destino.
+Isso pode resultar em estouros lineares além do final do buffer, levando a todo
+tipo de comportamentos incorretos. Embora ``CONFIG_FORTIFY_SOURCE=y`` e várias
+opções do compilador ajudem a reduzir o risco de usar esta função, não há uma
+boa razão para adicionar novos usos dela. A substituta segura é strscpy(),
+embora se deva ter cuidado nos casos em que o valor de retorno de strcpy() era
+utilizado, já que strscpy() não retorna um ponteiro para o destino, mas sim a
+quantidade de bytes não-NUL copiados (ou um código de erro errno negativo quando
+ocorre truncamento).
+
+strncpy()
+---------
+A função strncpy() foi removida do kernel. Todos os chamadores antigos foram
+migrados para alternativas mais seguras.
+
+A função strncpy() não garantia a terminação em NUL do buffer de destino,
+levando a estouros de leitura linear e outros comportamentos incorretos. Ela
+também preenchia incondicionalmente o destino com NUL, o que representava uma
+penalidade de desempenho desnecessária para chamadores que usavam apenas
+strings terminadas em NUL. Devido aos seus diversos comportamentos, ela era uma
+API ambígua para determinar qual era a real intenção do autor ao realizar a
+cópia.
+
+As substitutas para strncpy() são:
+
+- strscpy() quando o destino deve ser terminado em NUL.
+- strscpy_pad() quando o destino deve ser terminado em NUL e preenchido com
+ zeros (por exemplo, estruturas que cruzam fronteiras de privilégio).
+- memtostr() para destinos terminados em NUL a partir de origens de largura
+ fixa não terminadas em NUL (com o atributo ``__nonstring`` na origem).
+- memtostr_pad() para o mesmo caso anterior, mas com preenchimento de zeros.
+- strtomem() para destinos de largura fixa não terminados em NUL, com o
+ atributo ``__nonstring`` no destino.
+- strtomem_pad() para destinos não terminados em NUL que também precisam de
+ preenchimento com zeros.
+- memcpy_and_pad() para cópias limitadas a partir de origens potencialmente não
+ terminadas, onde o tamanho do destino é um valor definido em tempo de
+ execução (*runtime*).
+
+strlcpy()
+---------
+A função strlcpy() lê primeiro todo o buffer de origem (já que o valor de
+retorno deve corresponder ao de strlen()). Essa leitura pode exceder o limite
+de tamanho do destino. Isso é ineficiente e pode levar a estouros de leitura
+linear se a string de origem não for terminada em NUL. A substituta segura é
+strscpy(), embora se deva ter cuidado nos casos em que o valor de retorno de
+strlcpy() é utilizado, já que strscpy() retornará valores negativos de errno
+quando houver truncamento.
+
+Especificador de formato %p
+----------------------------
+Tradicionalmente, o uso de "%p" em strings de formatação causava falhas de
+exposição de endereços reais no dmesg, proc, sysfs, etc. Em vez de deixar esses
+endereços expostos a explorações, todos os usos de "%p" no kernel agora são
+exibidos como um valor hash, tornando-os inúteis para fins de endereçamento.
+Novos usos de "%p" não devem ser adicionados ao kernel. Para endereços de texto,
+usar "%pS" costuma ser melhor, pois exibe o nome do símbolo, que é muito mais
+útil. Para quase todo o restante, simplesmente não adicione "%p" de forma
+alguma.
+
+Parafraseando as diretrizes atuais do Linus `guidance
+<https://lore.kernel.org/lkml/CA+55aFwQEd_d40g4mUCSsVRZzrFPUJt74vc6PPpb675hYNXcKw@mail.gmail.com/>`_:
+
+- Se o valor hash de "%p" é inútil, pergunte a si mesmo se o ponteiro em si é
+ importante. Talvez ele deva ser removido por completo?
+- Se você realmente acredita que o valor real do ponteiro é importante, por que
+ algum estado do sistema ou nível de privilégio do usuário seria considerado
+ "especial"? Se você acha que pode justificar isso (em comentários e no log de
+ commit) de forma sólida o suficiente para resistir ao escrutínio do Linus,
+ talvez possa usar "%px", certificando-se de aplicar permissões adequadas.
+
+Se você estiver depurando algo em que a geração de hash de "%p" esteja causando
+problemas, é possível inicializar o sistema temporariamente com a opção de
+depuração "`no_hash_pointers
+<https://git.kernel.org/linus/5ead723a20e0447bc7db33dc3070b420e5f80aa6>`_".
+
+Matrizes de Tamanho Variável (VLAs)
+-----------------------------------
+O uso de VLAs (Variable Length Arrays) na pilha de execução gera um código de
+máquina muito pior do que matrizes de tamanho estático na pilha. Embora esses
+problemas significativos de `desempenho
+<https://git.kernel.org/linus/02361bc77888>`_ sejam motivo suficiente para
+eliminar as VLAs, elas também representam um risco de segurança. O crescimento
+dinâmico de uma matriz na pilha pode exceder a memória restante no segmento da
+pilha. Isso pode levar a um travamento, à possível sobrescrita de dados
+sensíveis no final da pilha (quando compilado sem ``CONFIG_THREAD_INFO_IN_TASK=y``)
+ou à sobrescrita de posições de memória adjacentes à pilha (quando compilado sem
+``CONFIG_VMAP_STACK=y``).
+
+Passagem direta implícita no switch case (fall-through)
+-------------------------------------------------------
+A linguagem C permite que o fluxo de execução de um bloco switch passe
+diretamente para o próximo caso (fall-through) quando uma instrução "break"
+está ausente ao final de um caso. No entanto, isso introduz ambiguidade no
+código, pois nem sempre fica claro se o "break" ausente é intencional ou um bug.
+Por exemplo, não é óbvio apenas olhando para o código se o ``STATE_ONE`` foi
+intencionalmente projetado para passar diretamente para o ``STATE_TWO``::
+
+ switch (value) {
+ case STATE_ONE:
+ do_something();
+ case STATE_TWO:
+ do_other();
+ break;
+ default:
+ WARN("unknown state");
+ }
+
+Como há uma longa lista de falhas `causadas pela ausência de instruções "break"
+<https://cwe.mitre.org/data/definitions/484.html>`_, não permitimos mais a
+passagem direta implícita. Para identificar os casos de passagem direta
+intencionais, adotamos a macro pseudo-palavra-chave "fallthrough", que se
+expande para a extensão do gcc `__attribute__((__fallthrough__))
+<https://gcc.gnu.org/onlinedocs/gcc/Statement-Attributes.html>`_. (Quando a
+sintaxe ``[[fallthrough]]`` do C17/C18 for suportada de forma mais ampla por
+compiladores C, analisadores estáticos e IDEs, poderemos mudar para o uso dessa
+sintaxe para a pseudo-palavra-chave da macro.)
+
+Todos os blocos de switch/case devem terminar com um dos seguintes elementos:
+
+* break;
+* fallthrough;
+* continue;
+* goto <rótulo>;
+* return [expressão];
+
+Matrizes de comprimento zero e de um único elemento
+----------------------------------------------------
+Há uma necessidade frequente no kernel de fornecer uma maneira de declarar uma
+estrutura com um conjunto de elementos finais de tamanho dinâmico. O código do
+kernel deve sempre usar `"membros de matriz flexível"
+<https://en.wikipedia.org/wiki/Flexible_array_member>`_ para esses casos. O
+estilo antigo de matrizes de um único elemento ou de comprimento zero não deve
+mais ser utilizado.
+
+No código C mais antigo, elementos finais de tamanho dinâmico eram declarados
+especificando uma matriz de um elemento ao final de uma estrutura::
+
+ struct something {
+ size_t count;
+ struct foo items[1];
+ };
+
+Isso levava a cálculos de tamanho frágeis via sizeof() (que exigiam a subtração
+do tamanho do elemento final único para obter o tamanho correto do "cabeçalho").
+Uma `extensão GNU C <https://gcc.gnu.org/onlinedocs/gcc/Zero-Length.html>`_ foi
+introduzida para permitir matrizes de comprimento zero, a fim de evitar esses
+problemas de cálculo de tamanho::
+
+ struct something {
+ size_t count;
+ struct foo items[0];
+ };
+
+No entanto, isso trouxe outros problemas e não resolveu algumas limitações de
+ambos os estilos, como a incapacidade de detectar quando tal matriz é usada
+acidentalmente *fora* do final de uma estrutura (o que poderia ocorrer
+diretamente, ou quando tal estrutura estava contida em unions, estruturas de
+estruturas, etc.).
+
+O padrão C99 introduziu os "membros de matriz flexível", nos quais a declaração
+da matriz simplesmente não possui um tamanho numérico::
+
+ struct something {
+ size_t count;
+ struct foo items[];
+ };
+
+Esta é a maneira como o kernel espera que elementos finais de tamanho dinâmico
+sejam declarados. Isso permite que o compilador gere erros quando a matriz
+flexível não for o último elemento da estrutura, o que ajuda a evitar que bugs
+de `comportamento indefinido
+<https://git.kernel.org/linus/76497732932f15e7323dc805e8ea8dc11bb587cf>`_ sejam
+introduzidos inadvertidamente na base de código. Também permite que o
+compilador analise corretamente os tamanhos das matrizes (via sizeof(),
+``CONFIG_FORTIFY_SOURCE`` e ``CONFIG_UBSAN_BOUNDS``). Por exemplo, não existe um
+mecanismo que nos alerte de que a seguinte aplicação do operador sizeof() a uma
+matriz de comprimento zero sempre resulta em zero::
+
+ struct something {
+ size_t count;
+ struct foo items[0];
+ };
+
+ struct something *instance;
+
+ instance = kmalloc(struct_size(instance, items, count), GFP_KERNEL);
+ instance->count = count;
+
+ size = sizeof(instance->items) * instance->count;
+ memcpy(instance->items, source, size);
+
+Na última linha do código acima, ``size`` acaba sendo ``zero``, quando se
+poderia pensar que ele representaria o tamanho total em bytes da memória
+dinâmica recentemente alocada para a matriz final ``items``. Aqui estão alguns
+exemplos deste problema: `link 1
+<https://git.kernel.org/linus/f2cd32a443da694ac4e28fbf4ac6f9d5cc63a539>`_,
+`link 2
+<https://git.kernel.org/linus/ab91c2a89f86be2898cee208d492816ec238b2cf>`_.
+Em vez disso, `membros de matriz flexível têm tipo incompleto e, portanto, o
+operador sizeof() não pode ser aplicado
+<https://gcc.gnu.org/onlinedocs/gcc/Zero-Length.html>`_, de modo que qualquer
+uso incorreto de tais operadores será imediatamente percebido em tempo de
+compilação.
+
+Em relação às matrizes de um único elemento, é preciso estar muito ciente de que
+`tais matrizes ocupam pelo menos o mesmo espaço que um único objeto daquele tipo
+<https://gcc.gnu.org/onlinedocs/gcc/Zero-Length.html>`_ e, portanto, contribuem
+para o tamanho da estrutura que as contém. Isso é propício a erros sempre que se
+deseja calcular o tamanho total da memória dinâmica a ser alocada para uma
+estrutura que contém uma matriz desse tipo como membro::
+
+ struct something {
+ size_t count;
+ struct foo items[1];
+ };
+
+ struct something *instance;
+
+ instance = kmalloc(struct_size(instance, items, count - 1), GFP_KERNEL);
+ instance->count = count;
+
+ size = sizeof(instance->items) * instance->count;
+ memcpy(instance->items, source, size);
+
+No exemplo acima, foi necessário lembrar de calcular ``count - 1`` ao usar o
+auxiliar struct_size(); caso contrário, teríamos alocado memória --de forma não
+intencional-- para um objeto ``items`` a mais. A maneira mais limpa e menos
+sujeita a erros de implementar isso é através do uso de um `membro de matriz
+flexível`, em conjunto com os auxiliares struct_size() e flex_array_size()::
+
+ struct something {
+ size_t count;
+ struct foo items[];
+ };
+
+ struct something *instance;
+
+ instance = kmalloc(struct_size(instance, items, count), GFP_KERNEL);
+ instance->count = count;
+
+ memcpy(instance->items, source, flex_array_size(instance, items, instance->count));
+
+Existem dois casos especiais de substituição nos quais o auxiliar
+DECLARE_FLEX_ARRAY() precisa ser utilizado. (Note que ele é nomeado
+__DECLARE_FLEX_ARRAY() para uso em cabeçalhos de UAPI.) Esses casos ocorrem
+quando a matriz flexível está sozinha em uma estrutura ou faz parte de uma
+union. Isso não é permitido pela especificação C99, mas sem justificativa
+técnica (como pode ser visto tanto pelo uso existente de tais matrizes nesses
+locais quanto pela solução alternativa que DECLARE_FLEX_ARRAY() adota). Por
+exemplo, para converter isto::
+
+ struct something {
+ ...
+ union {
+ struct type1 one[0];
+ struct type2 two[0];
+ };
+ };
+
+O auxiliar deve ser utilizado::
+
+ struct something {
+ ...
+ union {
+ DECLARE_FLEX_ARRAY(struct type1, one);
+ DECLARE_FLEX_ARRAY(struct type2, two);
+ };
+ };
+
+Atribuições diretas de kmalloc para objetos struct
+--------------------------------------------------
+Realizar atribuições diretas (*open-coded*) de alocações da família kmalloc()
+impede que o kernel (e o compilador) consigam examinar o tipo da variável que
+está recebendo a atribuição, o que limita qualquer introspecção relacionada que
+possa ajudar com alinhamento, estouros de capacidade (*wrap-around*) ou
+proteções adicionais (*hardening*). A família de macros kmalloc_obj() fornece
+essa introspecção, que pode ser usada para os padrões de código comuns de
+alocações de objetos únicos, de matrizes ou de objetos flexíveis. Por exemplo,
+estas atribuições diretas::
+
+ ptr = kmalloc(sizeof(*ptr), gfp);
+ ptr = kzalloc(sizeof(*ptr), gfp);
+ ptr = kmalloc_array(count, sizeof(*ptr), gfp);
+ ptr = kcalloc(count, sizeof(*ptr), gfp);
+ ptr = kmalloc(struct_size(ptr, flex_member, count), gfp);
+ ptr = kmalloc(sizeof(struct foo), gfp);
+
+tornam-se, respectivamente::
+
+ ptr = kmalloc_obj(*ptr [, gfp] );
+ ptr = kzalloc_obj(*ptr [, gfp] );
+ ptr = kmalloc_objs(*ptr, count [, gfp] );
+ ptr = kzalloc_objs(*ptr, count [, gfp] );
+ ptr = kmalloc_flex(*ptr, flex_member, count [, gfp] );
+ __auto_type ptr = kmalloc_obj(struct foo [, gfp] );
+
+O argumento gfp é opcional, sendo o valor padrão GFP_KERNEL. Se
+``ptr->flex_member`` estiver anotado com __counted_by(), a alocação falhará
+automaticamente caso ``count`` seja maior do que o valor máximo representável
+que pode ser armazenado no membro contador associado a ``flex_member``.
--
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2026-07-16 2:10 ` [PATCH 3/4] docs: pt_BR: Translate Code of Conduct " Daniel Pereira
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